InicioNoticiasIglesiaO pacto educativo e os movimentos estudantis

O pacto educativo e os movimentos estudantis

A Igreja tem uma ligação com os movimentos estudantis. Desde a década de sessenta, com seu ápice no ano de sessenta e oito, com as grandes reivindicações juvenis, que foram um divisor de águas à compreensão do contemporâneo, com a sua cultura pós-moderna. Estamos acompanhando o que está acontecendo em alguns países europeus, mais especificamente na França e na Bélgica, com o protagonismo estudantil, que está indo às ruas para lutar pela qualidade pessoal e estrutural da educação. É provável que estes acontecimentos estejam a nos oferecer mais um sinal desta ‘época de mudança e mudança de época’ que estamos atravessando, como é próprio da “fenomenologia do espírito” (cf. G.W.F. Hegel).

No Brasil, normalmente só recepcionamos estes impulsos sociais, depois de algum tempo. É possível que, num futuro não tão distante, tenhamos os mesmos fatos sociais por aqui. Considerando a nossa conjuntura política, com sua mentalidade, podemos ousar em dizer que só a partir das juventudes, com espírito crítico e atenta intelectualmente aos dramas de tantas injustiças sociais do nosso país, construidas historicamente, é que podemos sonhar com possibilidades de transformação.

Por estarem envolvidas existencialmente com as transições culturais que estamos vivendo, elas poderão perceber na própria condição humana o que temos no presente e o que podemos ter no futuro. Durante estes dias, vivendo uma peregrinação por alguns países, fazendo alguns caminhos do Apóstolo Paulo, principalmente pela Grécia e a Turquia, também tomei notícias das movimentações que começaram na Itália. Temos que ficar atentos a estes sinais. Temos que ter presente que as reivindicações estão na linha de ‘direitos sociais’. Como percebemos historicamente, a partir dos anos sessenta, quando a juventude grita, há possibilidades de escuta; pois ela exige o futuro, a partir do presente, ainda mais quando este sonega as possibilidades de reconhecimento da dignidade da pessoa humana.

O Brasil, quiçá, num futuro não tão distante e a partir das universidades, tenderá a seguir este caminho. Não podemos perder essa esperança! Existem tantas situações de desmandos e desigualdades, a começar pelos gastos públicos com a máquina estatal para locupletar os poderes executivos, legislativos e judiciários do nosso país. Além do que o povo já patrocina, através dos impostos, ainda temos os escândalos da corrupção. Basta termos presente a implosão da República com o “caso master”. O Vorcaro desnudou o que acontece no ordinário de muitos representantes públicos da politica brasileira. O pior: tudo acaba em pizza e com os mesmos envolvidos sendo eleitos para cargos de tão grandiosa responsabilidade, deixando transparecer que a população tem os representantes que merece. A corrupção não parece ser problema. O drama é mais profundo e generalizado.

Os movimentos juvenis podem e têm uma grande tarefa, já que possuem as condições de ver além da caverna. A proposta do ‘Pacto Educativo Global’, lançado pelo Papa Francisco, em dois mil e dezenove, tem dentre os dez dos seus princípios norteadores a proposição da “escuta das novas gerações”. Tanto a Igreja, como a sociedade, necessita do protagonismo juvenil em suas estruturas. A relação da Igreja com os jovens foi determinante ao avanço de conquistas democráticas, que vigoram até hoje em nossa sociedade brasileira.

Como não fazer memória da JUC – Juventude Universitária Católica – e as demais juventudes, que encontraram vez e voz nos movimentos eclesiais, que foram decisivos, durante a Ditadura, à articulação social para que pudéssemos viver num país democrático e com possibilidades de avanços políticos?! A Aliança pela educação terá que discutir tudo isso. Os Movimentos Estudantis que estão a acontecer na Velha Europa, ainda nos dirão a que vieram também na América Latina e, ainda mais, em nosso caso, aqui no Brasil. Vamos nessa, Juventudes! Assim o seja! Pe. Matias Soares Capelão da UFRN

Últimas noticias

Voces

Multimedia