[Por: Leandro Sequeiros]
La violencia motivada por el odio religioso no es solo un ataque contra una persona o un grupo específico, sino una agresión directa a la esencia misma de la convivencia pacífica…
Descargue el artículo.
[Por: Leandro Sequeiros]
La violencia motivada por el odio religioso no es solo un ataque contra una persona o un grupo específico, sino una agresión directa a la esencia misma de la convivencia pacífica…
Descargue el artículo.
Existe en España una ignorancia multisecular -y enciclopédica, valga el oxímoron- sobre nuestros filósofos musulmanes y judíos. Como afirmara el escritor e intelectual cordobés Juan Valera, “se diría que cuando los expulsamos los quisimos expulsar para siempre hasta borrar su memoria de entre nosotros”. Uno de estos filósofos musulmanes, quizá el más insigne, es el cordobés Averroes (1126-1197), cuya valoración intelectual ha oscilado entre la recepción entusiasta y el rechazo sectario. A él le dedica Andrés Martínez Lorca, catedrático emérito de Filosofía Medieval en la UNED, este lúcido ensayo escrito con maestría narrativa, rigor filosófico, profundo conocimiento histórico con motivo del 900 aniversario de su nacimiento.
Lo sitúa en su momento histórico, en al-Andalus del siglo XII durante el gobierno de los almohades, que lograron la simbiosis entre al-Andalus el islam, y analiza los tres campos en los que el pensador cordobés brilló con luz propia y sigue iluminando la oscuridad del presente: el Derecho, la Medicina y la Filosofía. En el Derecho destacó como Juez Mayor en Sevilla y Córdoba demostrando competencia jurídica e integridad moral. Su obra Bidaya ejerció una gran influencia en el mundo islámico.
Martínez Lorca subraya la defensa de Averroes de los derechos de las mujeres: su igualdad con los hombres, el rechazo de la poligamia, el derecho a ser jueces, el rechazo de la dote que las convertía en esclava, etc. El pensador cordobés denunció la discriminación de las mujeres y su reclusión en el espacio doméstico. Tal actitud igualitaria contrastaba con los prejuicios de la época y chocaría más tarde con la ideología discriminatoria de Tomás de Aquino que calificaba a la mujer como “varón imperfecto”.
El segundo campo en el que trabajó fue la Medicina, que ejerció como médico de Cámara. Su principal y más influyente obra en esta materia es obra principal es Kulliyyat, cuya teoría médica estaba basada en el “galenismo arabizado”.
Pero donde Averroes demostró mayor competencia y originalidad es en la Filosofía hasta el punto de marcar un nuevo rumbo en el pensamiento europeo medieval y renacentista. Como principal aportación en este campo Martínez Lorca destaca su enfoque humanista y racionalista y la centralidad que concede a Aristóteles. Averroes ubica al filósofo griego en el eje de la filosofía medieval porque la considera “la menos sujeta a dudas, la mejor adaptada y la más conforme con la realidad y la más libre de contradicciones”. La huella de Aristóteles se dejó sentir en el pensamiento de Averroes en puntos concretos como la autonomía de la filosofía, el naturalismo de base, el racionalismo filosófico, la superioridad del tipo de vida intelectual en el plano ético y el carácter propedéutico de la Lógica para el conocimiento científico. Lo que no significa sumisión servil, ya que el filósofo cordobés tenía pensamiento propio, fue más allá de Aristóteles y a veces rompió con el aristotelismo.
Martínez Lorca reconoce la importante contribución de Averroes al pensamiento medieval en la distinción entre filosofía y religiones. Las religiones se dirigen al pueblo en general y tienen como finalidad el logro de una vida virtuosa. La filosofía se dirige a una parte selecta de la sociedad y requiere argumentación, al tiempo que la considera necesaria en el islam. Se muestra respetuoso con las creencias religiosas, pero muy crítico con el dogmatismo teológico. Se aprecian aquí importantes elementos de modernidad. Averroes fue el receptor de la ética aristotélica en la Edad Media. Divide las virtudes en morales e intelectuales, subraya el nivel social de la ética y vincula ética y política. Sitúa lo colectivo como primer valor civil, fundamenta sólidamente la cohesión social, pone límites a la propiedad privada y se muestra crítico con el despotismo de los gobernantes.
Desde una hermenéutica creativa, más allá del simple comentario discipular, Martínez Lorca afirma que Averroes activó un primer Renacimiento, iluminó la Europa medieval e influyó en la construcción de la Europa moderna. Con él se completa el brillante ciclo árabe de los filósofos arabizantes. Este libro contribuye a recuperar su pensamiento vivo como fermento de renovación intelectual y social hoy en efeméride tan señalada como es el 900 aniversario de su nacimiento tras siglos de irrelevancia y persecución por mor de un catolicismo dogmático, antimusulmán y antiárabe.
Averroes. El sabio cordobés que iluminó Europa
Andrés Martínez Lorca
Utopía Libros, 2026
176 páginas
“O pior momento do ateu é aquele no qual sente a necessidade de agradecer e não sabe a quem”. Esta frase não é minha mas de C.K.Chesterton (1874-1936), grande escritor inglês, tido como o “príncipe do paradoxo”, admirado por Alceu Amoroso Lima, Gilberto Freire e principalmente por Gustavo Corção. Como todo ser humano, o ateu deve ser respeitado em sua opção. Mas acontecem situações na vida, pouco importam as opçãos, nas quais o sentimento de gratidão se faz imperativo Não porque o queiramos ou não. Mas por uma força intrínseca ao fato. Para tais casos há várias respostas. Insuficiente é o acaso que para Einstein expressava apenas a nossa ignorância. Outros atribuem à sorte. Mas essa é tão pouco eclarecedora, pois, seria como dizer: “por sorte, meu time de estimação não foi rebaixado”. Mas há momentos mais dramáticos, onde se impõe uma resposta espontânea: o agradecimento imperioso a Alguém maior.
Dou um exemplo de ordem pessoal. Estou dirigindo tranquilo pela Avenida Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro, debaixo do viaduto do mesmo nome. Alguém atrás de mim buzina repetidas vezes forçando uma ultrapassagem. Dou-lhe passagem. Alguns metros adiante cai grande parte do viaduto de pesado cimento e ferros e mata dezenas de pessoas. Sobre aquele que me ultrapassou caiu enorme pedaço do viaduto e esmagou o carro e o chofer. Desci do carro e verifiquei que já estava morto. Fiquei arrasado.
Por que não eu? Se não lhe tivesse dado passagem, seria eu mortalmente atingido. Por que fui poupado? Surge um sentimento de imensa pena pelo falecido e ao mesmo tempo um profundo sentimento de gratidão. Há fatos carregados de tal densidade (como a vida ou a morte) que não se deixam interpretar como mero acaso ou pura sorte. Nosso sentimento se volta a um Maior, Àquele que conhece nosso destino e deverá ter algum desígnio para que minha vida fosse poupada. Quem o saberá? É uma indagação existencial para a qual não há resposta.
Esse sentimento de gratidão é irresistível e nos deixa até perplexos. Ele surge espontaneamente. Agradecer é bem mais que dizer simplesmente:”muito obrigado”. Havia um famoso profeta que preambulava pelas ruas do Rio,com sua bata branca e um estandarte com muitos apliques religiosos alguns, críticos ao capitalismo outros, denominado de “Profeta Gentileza”. Ele nunca aceitava que se dissesse: “muito obrigado”pois, dizia,não somos forçosamente “obrigados” a nada. Mas deveríams dizer: “muito agradecido”. “Porque agradecido vem da “graça”.
Reconhecer que a vida e os gestos de gentileza de uns para com os outros (seu moto: “gentileza gera gentileza) são obras da graça, daquilo que não tem preço, pois é gratis. Ela merece ser reconhecida com gratidão. Pelé tinha razão quando dizia: “Deixem-me jogar o futebol que Deus de graça me deu”. Gruyff, astro do futebol holandês também disse: “Ganhei de graça dotes de ser um bom jogador”. Esse reconhecimento gera humildade e simplicidade. O sucesso não ensoberbece os craques, nem os distanciam dos outros.
Passemos àquela realidade que merece diuturno agradecimento: a nossa própria existência. Ninguém pediu para existir. Alguém nos colocou neste mundo. É uma graça existir e contunuar vivendo. Mas há um outro tão presente que o esquecemos: o Sol. Precisamos do Sol para poder ver. Caso contrário tudo ficaria escuro. 99% de toda vida na Terra depende do Sol. Mantém a água em estado líquido e assim permite a vida e a fotosíntese das plantas. E entrega-nos o oxigênio sem o qual não respiraríamos. O próprio petróleo, fundamental para nosso tipo de civilização que tudo polui, foi produzido pela luz solar via fotosíntese, há um passado distante de milhões de anos. Precisamos da luz solar para produzir todas as vitaminas, especialmente a D da qual dependemos..
uO Sol existe há 4,57 bilhões de anos, a partir de uma nuvem de gás e pó que colapsou e se densificou nessa estrela de quinta, o Sol. Alimenta-se de hidrogênio (74%) e de hélio (24%). É 332 900 vezes maior que a Terra. E está apenas na metade de sua vida. Quando terminar de consumir o hidrogênio começará a queimar o hélio, cujo calor será tão intenso que incinerará a Terra. Calma! Isso demorará ainda alguns milhões e milhões de anos.
Como é belo de manhã ver a névoa baixa por sobre o solo que logo se dilui pelo calor do sol e vira orvalho deixando o gramado todo molhado. Se a temperatura chegar a zero ou perto de zero, como onde moro, tudo vira o branco da geada. Com o Sol nascente, um pouco mais e mais um pouco ela já desaparece. E o Sol banha tudo com sua luz benfazeja, alimentando as árvores, despertando os animais e fazendo crescer todo tipo de vegetação e de alimentos. Agradeçamos especialmente as abelhas que garantem a polinização. Quando bebermos a água, agradeçamos à fonte; quando tomarmos o vinho, agradeçamos à cepa de videira.
Quando estamos à mesa desfrutando das bondades da natureza, sustentada pelo Sol, não deixemos de agradecer a essa luminosa estrela que tudo nos dá. Agradeçamos o feijão e o arroz, a carne, os legumes que compõem nosso prato. Agradeçamos ao agricultor que tudo isso cultivou, levou ao mercado e aqueles que na cozinha os transformam em alimentos saudáveis.
Estamos continuamente sob a ação das energias do universo, das estrelas, do Sol, da Terra, das raízes das árvores, que produzem as folhas para a fotosíntese e as flores para o nosso encanto. Agradeçamos as nuvens que nos trazem a chuva e a Lua que nos leva a cantar: “Não há luar como esse do sertão…” Agradeçamos também aquele povo imenso dos micro-organismos, escondidos debaixo do solo e que garantem a fertilidade da terra.
Tudo é tão óbvio e cotidiano que nos esquecemos de agradecer. Esse sentimento seria o primeiro do dia e da noite. E sabemos a Quem agradecer, ao Criador de todas as coisas. Sem Ele não existiríamos. Foi Ele que nos tirou do nada ou do “All Nourishing Abyss” (o Abismo alimentador de tudo) na linguagem secular dos cosmólogos. Nós dizemos simplesmente o Deus de mil nomes e de nenhum.
A teologia ensina: se Ele não dissesse a cada momento “faça-se”, repito a cada momento, voltaríamos ao nada. A criação não é algo do passado. É o permanente momento em que o Criador pronuncia a palavra geradora: “faça-se”. E tudo começa a existir e a subsistir. Se compreendermos esse milagre permanente, saberíamos a Quem agradecer, cantar louvores e nos encantar.
Devemos respeitar cada um dos ateus, pois cada qual tem direito de definir, a seu modo, a leitura do mundo e de seu futuro. Mas vemos a boa razão de Chesterton, ao se referir ao sentimento que pode tomar o ateu, que milagrosamente escapou ileso de mortal acidente aéreo. Como humano, algo maior e interior o faz sentir que deve agradecer. A quem? À sorte? É muito pouco.Deve ser algo mais profundo, por exemplo à Vida? Mas ela é sempre mortal. Esta vida remete Àquela Vida que criou a vida mortal. Foi esta Vida misteriosa que o salvou para continuar a viver. A Ela cabe o agradecimento do fundo do coração, com comoção e em lágrimas.
Ateu ou religioso, o agradecimento é um sentimento radicalmente humano.
Leonardo Boff escreve para a revista LIBERTA do ICL (https://www.revistaliberta.com.br) e escreveu também Graça e libertação humana, Vozes 1999/2005 (https://www.leonardoboff.org).
Estamos habituados/as a atribuir nossa faculdade de pensar ao cérebro e nossa faculdade de amar ao coração. Assim, dizemos que o cérebro é ‘frio’ e o coração ‘quente’. Essa bipolaridade constitui um desafio, pois o coração, não raramente, surpreende e nos faz ‘pensar’. Como escreveu Blaise Pascal: o coração tem razões que a razão desconhece.
Temos, por conseguinte, dois ‘modos’ de pensar: um, que metaforicamente, atribuímos à cabeça e outro que atribuímos ao coração. Esse recurso à bipolaridade no pensamento é típico da cultura ocidental, pois nem todas as culturas recorrem a ela. Uma antiga sabedoria chinesa, por exemplo, ensina que a razão nasce no coração. E sabemos que as culturas dos povos originários da América Latina e dos povos africanos explicam de modo bem diverso a faculdade humana de pensar e sentir. Mas aqui, neste texto, sugiro que recorramos ao imaginário da cultura ocidental e atribuamos simplesmente o pensamento à ‘cabeça’ e o sentimento ao ‘coração’, partindo da bipolaridade ‘cérebro-coração’ nas considerações que se seguem.
&&&&
Este texto, que se inicia parafraseando o título da recente Encíclica do Papa Leão XIV ao falar em magnífica cordialidade, defende a ideia que a governança dos dois últimos papas se caracteriza por uma procura de uma maior harmonização entre ‘cerebralidade’ e ‘cordialidade’. Cheguei a pensar assim a partir da famosa declaração do Papa Francisco: Quem sou eu …?, que comento adiante. Pode ser que você ache que estou exagerando em traçar uma linha divisória tão clara entre posicionamentos clássicos do papado e determinadas atitudes dos dois últimos papas. Essa divergência é salutar, pois o provérbio diz: do choque das ideias nasce a luz. Ao assumir recentemente, talvez sem o querer, uma postura anti-Trump, o atual papa expõe uma tensão milenar entre ‘pensamento cordial’ e ‘pensamento cerebral’, que atravessa a história do Ocidente desde os antigos gregos. Pode-se dizer que ele, sem o explicitar e talvez sem o intencionar, se distancia do pensamento de ‘pais da modernidade’, como Descartes e Bacon, pois não segue o paradigma da modernidade cerebral, ou seja, não se mostra colaborador incondicional no tipo de sociedade que a modernidade pretende construir por meio da tecno-ciência e da consequente marginalização do ‘pensamento do coração’, ou seja, de uma empatia básica que nos é inata. O Dalai-Lama conta que, em Tibete, circula um provérbio que fala da ‘incapacidade humana de suportar a visão do sofrimento do outro’. Mesmo assim, há muita insensibilidade e há mesmo quem tem a ousadia de dizer, com o Sr. Elon Musk, que a empatia atrapalha ‘os negócios’. Trata-se, pois, de refletir sobre um desequilíbrio que vem de longe e se revela típico na nossa cultura.
&&&&
Vou pedir sua licença, amigo/a, e regredir a um passado bastante longínquo. Espero que você me acompanhe nessa breve caminhada, pois estou convencido que determinados posicionamentos, universalmente aceitos hoje, na realidade se enraízam em tempos muito remotos, e só poderão ser resolvidos por meio de uma reflexão que cave fundo no nosso passado. Enfim, nossos comuns modos de pensar repousam sobre uma milenar prepotência da cabeça e opino que, até hoje, as tentativas de harmonização pelo coração foram largamente insuficientes.
Na antiga cultura grega, o ‘logos’ se torna modelo do humano. Trata-se de uma ‘lógica do eu’ que se basta, desconsidera o ‘outro’ e a complexidade dos relacionamentos humanos. Um exemplo bem conhecido nos é dado na filosofia aristotélica, que se caracteriza por uma cerebralidade exclusivista.
Quando, no ano 338 aC, esse Aristóteles, filho do médico da Casa Real da Macedônia, se torna preceptor de Alexandre, filho do rei Filipe II, que tem apenas quinze anos, ele lhe ensina, resumindo, que ‘conhecer’ consiste em formar conceitos cerebrais. Ele simplifica realidades complexas a partir de um só olhar e, com isso, responde a um velho sonho da filosofia grega, já acalentado por Heráclito (ca. 540-470 aC), que consiste em tentar ‘agarrar’ ou ‘definir’, tanto o mundo que nos rodeia quanto o que está dentro de nós, ou seja, reduzir tudo a um só registro: o designativo ou indicativo. Eis uma simplificação que tem enorme sucesso ao longo da história: o mundo é feito por confronto entre conceitos e a guerra das armas é consequência e expressão disso. O mesmo Heráclito promulga Polemos patèr pantôn: ‘a guerra é mãe de tudo’. Da guerra tudo emana.
Aristóteles rejeita a ‘cordialidade’ de Homero. Para ele, os grandes feitos de Áquiles e Heitor são devaneios ‘inúteis’, pois não ajudam na educação das crianças. A coisa é simples: o ‘logos’ grego é uma luz que tem de brilhar na escuridão das nações. O Egito, o Império Persa, as nações em torno do Mar Cáspio, todo esse vasto mundo que se estende do sudeste da Europa até a Índia (Rio Ganges), vive na escuridão da ignorância.
Eis o que o príncipe Alexandre aprende com seu preceptor Aristóteles e esse conceito, na realidade uma grosseira simplificação, constituirá a arma mais letal do exército que ele está planejando formar. Mais que convencido, Alexandre cruzará 16 países, atravessará desertos e montanhas, fundará mais de 70 cidades, formará um gigantesco império e ‘helenizará’ meio mundo, com consequências que perduram até hoje. Guiado por conceitos preestabelecidos, ele se mostrará mestre em surpreender, improvisar, desviar, esperar, enganar, fingir, artimanhas da razão guerreira, estratégias. Tudo deriva do conceito, que tem de penetrar num universo de ignorância e de ‘caos’.
O conceito aristotélico despreza a sensibilidade diante do fraco. Compaixão é fraqueza. Alexandre mata milhares, passa por cima de sangue inocente derramado e, após um percurso fulgurante, morre aos 33 anos.
&&&&
Vale a pena refletir um pouco mais sobre a razão aristotélica. Como escrevi acima, trata-se de uma filosofia que simplifica as coisas, reveste tudo com a mesma farda, que nem soldados em marcha. Para Aristóteles, a razão é designativa, ou seja, tudo pode ser ‘captado’ pela inteligência cerebral, que ‘agarra’ as coisas e as mantém ‘na mão’. O verbo latim ‘concipere’ (captar, tomar em mão), donde deriva o substantivo ‘conceptus’ (conceito), expressa bem o processo. O vocábulo alemão ‘Begriff’, derivado do verbo ‘greifen’ (agarrar por meio do polegar, órgão tipicamente humano, que falta na maioria dos animais e nos permite agarrar algo para segurá-lo em mão) é ainda mais claro. O conceito aristotélico é bélico, agressivo, invasor. É ele que, séculos depois, produz o colonizador perfeito, como bem observou o poeta indiano Rabindranath Tagore nos anos 1940:
Já pensaram quanto de conquistador,
para não dizer de ladrão ou assaltante,
há na expressão ‘conceito’?
Ora, é com essa atitude que o Ocidente se dirige ao mundo.
(Citado em Jung, Civilização e Transição, Vozes, Petrópolis, 1993, pp. 226-227).
Por meio de conceitos, o Ocidente conquistador e colonizador ‘capta’, de antemão, um mundo do qual, afinal, não sabe nada. Ele recorre a conceitos designativos como ‘pagão’, ‘primitivo’, ‘subdesenvolvido’, ‘atrasado’, ‘ignorante’, ‘infiel’, ‘hostil’ para conseguir ‘agarrar’, ‘abraçar’, ‘compreender’ e ‘indicar’ um mundo por ele desconhecido. A palavra aristotélica ‘agarra’ palavras retiradas de um mundo que ela considera caótico e tenta ordená-las num mundo compreensível.
A extrema definição da palavra aristotélica serve para contar e calcular, investigar, organizar, ordenar, dominar, mas não para amar, sonhar, viver com prazer, respeitar, dar a mão, mostrar empatia ou compaixão. Uma primeira crítica à epistemologia aristotélica consiste, pois, em observar que essa filosofia passa ao lado de uma questão fundamental na comunicação entre humanos/as.
&&&&
Hoje, constatamos que a conceituação aristotélica marcou o pensamento ocidental durante longos séculos e continua a influenciá-la em muitos aspectos. Aliás, como explicar a história da Igreja, com suas Cruzadas, sua Inquisição, a Queima de hereges e ‘bruxas’, o Índice de ‘livros proibidos’, as campanhas anti-comunistas, as atuais campanhas contra a Teologia da Libertação, para só mencionar alguns dados entre muitos, sem o recurso de conceitos e o consequente predomínio de uma razão domadora da comunicação?
Alguns primeiros sinais de uma problematização filosófica acerca da relação cérebro-coração aparecem nos tempos da Renascença, nos séculos XV-XVI. Antes, ao longo da história ocidental, as razões cordiais frequentemente foram apresentadas como cantos de sereia a nos ‘seduzir’ e desviar de roteiros traçados pela reta razão cerebral. Uma discussão explícita só aparece no século XVII, por ocasião de uma divergência entre o filósofo ‘cerebral’ René Descartes (1596-1650) e o ‘cordial’ Baruch Spinoza (1633-1677).
&&&&
O filósofo francês cunha a expressão idées claires et distinctes, ‘ideias claras e distintas’. Nisso manifesta sua adesão à tradição aristotélica. Ele não deixa margem para sonhos e emoções, sentimentos e impressões. Sua meta consiste em conseguir que as pessoas interajam por meio de uma linguagem executiva, direta, enxuta, útil, proveitosa, asséptica, empírica, planejada, competente, enfim, uma linguagem que combine com a cultura que ele considera correta. Ele tem outra frase impactante: Cogito, ergo sum: ‘Je pense, donc je suis’, ‘penso, logo sou’, ‘sou porque penso’. A cognição ‘clara e distinta’ é a condição sine qua non da epistemologia cartesiana. Quanto mais o mundo é investigado, descrito e conhecido, tanto mais a humanidade se ‘desenvolve’. O importante é a cognição, o conhecimento da assim chamada ‘realidade’. Eis a base da ideia ‘desenvolvimentista’, até hoje predominante na política das potências ocidentais. O mundo vira um universo de informática. O importante mesmo consiste na observação empírica, através da qual seja possível identificar com exatidão as coisas para poder agir sobre elas por meio de conceitos. O ‘conhecimento’ impera, a ‘ignorância’ tem de ser combatida. Pois o ignorante não participa verdadeiramente da vida. Ele é cego, não sabe das coisas, não pode participar das discussões.
&&&&
O contraponto vem da Holanda. Bento (Baruch, Benedito) Spinoza de tal modo tem consciência de remar contra a corrente que toma providências para que seu texto principal, a Ética, de 1670, (tradução pela Editora Martin Claret, São Paulo, 2003), só seja publicado depois de sua morte. Só um século mais tarde, na Alemanha do final do século XVIII, artistas e intelectuais como Goethe, Lessing, Herder, Schelling e Hegel começam a perceber o valor de sua filosofia. Hoje dispomos de excelentes trabalhos na linha spinozista, como o ‘best seller’ Inteligência Emocional (‘the Feeling Brain’) de Daniel Goleman (Objetiva, São Paulo, 1995), O Mistério da Consciência de Antônio Damásio (Companhia das Letras, São Paulo, 2002) e Como a Mente funciona, de Steven Pinker (Companhia das Letras, São Paulo, 1998). Aqui no Brasil temos os trabalhos da filósofa Marilena Chauí, que escreveu A Nervura do Real: Imanência e Liberdade em Espinosa (Companhia das Letras, São Paulo, 1999), Política em Espinosa (ibidem, 2003) e Baruch Espinosa (Revista Cult 109, dezembro 2006, pp. 53 sqq).
Para Spinoza, o coração é o principal canal da cognição humana. Dele emana a emoção, que nos acompanha dia e noite e se manifesta no rosto, nos gestos, nas mais variadas expressões. Nossas emoções constituem os fundamentos dos sentimentos que formamos na nossa mente, elas os antecedem e têm aspectos visíveis e aspectos invisíveis. Há, pois, uma distinção entre emoção e sentimento. A emoção atua no cenário do corpo (choro, riso), enquanto o sentimento aparece no cenário da mente. Ela constitui uma re-humanização do mundo, após os assaltos cerebrais, pois não serve para captar e segurar, contar e calcular, aproveitar e dominar (como faz o conceito), mas nos leva ao universo de uma nova compreensão respeitosa e fraterna. Os neurocientistas nos informam que os atos de ‘sentir’ as coisas compõem uma complexa atividade integrada, ou seja, que a emoção faz parte integrante da elaboração da consciência e do pensamento.
&&&&
Acontece que, até hoje, a filosofia spinozista é pouco conhecida e insuficientemente valorizada. Pois ela leva a árduas lutas a favor da ética. Quando alguém, numa encruzilhada do trânsito, me diz ‘tenho fome!’ (o que não é nenhuma designação indicativa!), ele não me informa nada, mas apela para meu coração. Um ‘conceitualista’ não gosta de aprofundar o que significam essas duas palavras ‘tenho fome’. Ele não sabe o que fazer com esses estranhos agentes que constituem a melodia que nos acompanha vinte e quatro horas por dia e nem nos abandona no sono. Pois sentimentos são indefinidos e imprevisíveis. Sentimo-nos ora alegres ora tristes, com vontade de rir ou de chorar, com mal-estar ou bem-estar, animados/as ou deprimidos/as go para a vida e que a sabedoria consiste num equilíbrio entre pensamento e sentimento. Se, de um lado, é praticamente impossível que a pessoa humana alcance o completo domínio da razão cerebral sobre seu agir, de outro lado, é preciso ouvir as razões do coração. Há amplas possibilidades de progresso no balanceamento entre a sã razão e os ditames do coração.
&&&&
Um filósofo do século XX, o francês Henri Bergson (1859-1941), recorre à imagem de ‘duas fontes’ para defender o equilíbrio entre cérebro e coração. Em seu livro Les deux Sources de la Morale et de la Religion (‘As duas fontes da moral e da religião’), de 1932, ele lamenta o predomínio de uma razão desprovida de coração e constata que a civilização ocidental carece de um supplément d’âme (‘suplemento de alma’). Necessita-se de recursos espirituais e morais firmes e dinâmicos, para que se consiga reconquistar o domínio sobre os impressionantes desenvolvimentos técnicos de nossos tempos e fazer com que eles possam concorrer aos bens superiores da humanidade: o desabrochar de vida, a liberdade, a paz, a felicidade de todos/as. Bergson apela para que, além das tecno-ciências, se estudem e valorizem as ‘ciências do corpo’, como a biologia, a psicologia e a sociologia. Acho feliz a expressão ‘suplemento d’alma’ do mestre francês. Afinal, ela indica o mesmo que a expressão ‘cordialidade’ neste meu texto.
Quando indagado – numa entrevista durante um voo de avião, uns anos atrás – como se posicionava diante da homossexualidade, o Papa Francisco deu uma resposta tão inesperada, que repercute até hoje e pode ser considerada a mais clara afirmação de uma guinada a favor de uma ‘magnífica cordialidade’: quem sou eu para julgar um homossexual? O contraste com a defesa da verdade, que marcou os pontificados anteriores, não podia ser maior. Eis o ‘suplemento d’alma’ do Papa Francisco, que não segue um ‘script’, não defende uma ‘tese’, não consulta seus assessores, mas deixa simplesmente seu coração falar. A repercussão extraordinária dessa breve resposta, até hoje, nos é motivo para refletir acerca dos temas e das abordagens dos dois últimos papas.
&&&&
Vale a pena revisitar brevemente as quatro encíclicas de Francisco. Na primeira, de 2013, intitulada Lumen Fidei, ele ainda não demonstra originalidade. Trata-se de complementar um texto que seu antecessor Bento XVI deixou inacabado. Mas a segunda, de 2015, intitulada Laudato Si, revela uma impressionante originalidade. Ela aborda um tema inusitado em Roma e parte em defesa da natureza, tão indefesa diante dos ataques mortíferos da inteligência cerebral e tão negligenciada em documentos papais. Segue-se, em 2020, a encíclica Fratelli Tutti, em que o papa defende uma fraternidade humana acima de todas as fronteiras. Trata-se de outro tema nevrálgico, num momento em que as nações se armam uma contra a outra. E finalmente, em 2024, o Dilexit Nos vem lembrar o mandamento incondicional de uma ‘cordialidade’ tão pouco praticada nas relações internacionais nos dias que correm.
Ao lado dessas encíclicas, o Papa Francisco lança o tema da sinodalidade, que continua sendo o maior desafio que seu pontificado nos legou. A atitude ‘sinodal’ é o contrário de uma atitude ‘auto-centralizada’. Ele consiste em saber escutar, ou seja, desfazer-se da predominância do ‘ego’ cerebral e enfrentar um processo lento e progressivo em busca do respeito por pluralidades e complexidades, não se desvendam com facilidade. A arte de escutar conduz a verdades decerto parciais, encarnadas, provisórias e discutíveis, mas esse parece ser o caminho da inteligência humana.
&&&&
Nos relativamente poucos textos do Papa Leão XIV até hoje disponíveis se destaca a Encíclica Magnífica Humanidade, em que se recorre a uma linguagem explicitamente metafórica. Isso me parece particularmente importante, pois não constitui o modo costumeiro de documentos papais. É uma linguagem que herdamos ao nascer, mas é pouco valorizada nas sociedades em que vivemos. Todos/as nascemos com uma admirável capacidade comparativa, imaginativa, poética, sonhadora. Além de estarmos no mundo por meio de nossos cinco sentidos físicos, desde a primeira infância conseguimos reordenar ditos esparsos e desconexos, ouvidos da mãe, numa ‘gramática cordial’, que posteriormente será aperfeiçoada na escola. Por meio dessa capacidade imaginativa, metafórica, contemplativa, poética, simbólica, alegórica, nossas palavras ganham significados novos e voam longe, para terras além das informações fornecidas pelos cinco sentidos de nosso corpo. Como indica o verbo grego metaferô, que significa ‘transferir’, a linguagem metafórica é uma transferência. Ela nos faz ‘voar’. Por meio dela, ultrapassamos a percepção sensorial por meio de uma poética, criativa e construtiva capacidade de fazer com que palavras adquirem novos sentidos e novos poderes. Aqui não me refiro a um simples recurso a palavras metafóricas, muitas delas costumeiramente integradas na nossa linguagem comum (‘ele é um gigante, ela é preciosa’), mas à deliberada escolha de um tipo de linguagem mais sugestiva que expositiva, mais insinuante que explicativa. A expressão Magnífica Humanidade, por exemplo, não é definição nem conceito indicativo, mas expressão de um sentimento que brota do coração, com leveza poética e imaginativa.
&&&&
Eis as primeiras palavras da Encíclica: A magnífica humanidade, criada por Deus, se encontra hoje perante uma escolha decisiva: erguer uma nova Torre de Babel ou construir a Cidade em que Deus e a humanidade habitam juntos. Elas resumem admiravelmente nossa história humana, que oscila entre Babel e Jerusalém, beligerância e amor. Elas nos levam diretamente ao Evangelho Q, ou seja, à primeira expressão escrita do projeto de Jesus, que trata de uma escolha decisiva. Essa coletânea de 21 Ditos de Jesus, que já circulou nos anos 50 e que parece ter sustentado a pregação da primeira geração de missionários, trata explicitamente dessa escolha: Amem seus inimigos, trate bem quem o trata mal. Se alguém lhe bater numa face, ofereça a outra. Se alguém lhe arrancar o manto, deixe que leve também a túnica. Se alguém tomar o que é seu, não peça de volta. Eis um comportamento que contrasta com o elementar bom senso. Nas areias do Egito foram encontradas tiras de papiro que contêm algum desses Ditos e que aqueles primeiros missionários provavelmente costuravam na parte interna de seus mantos para não esquecer frases tão diferentes e tão provocativas.
A estranheza diante dos Ditos de Jesus continua até hoje e repercute nessa primeira frase da Encíclica do papa: a humanidade está diante de uma escolha. Exatamente como Jesus pensava. Ela pode continuar na ilusão de construir algo novo sem que construtores/as se entendam mutuamente, portanto, continuar se hostilizando e beligerando sem fim, ou pode resolver construir a Cidade em que Deus e a humanidade habitam juntos. Para tanto, ela terá de escutar a fala do coração, que pulsa forte no Evangelho Q. Só na harmonia entre inteligência cerebral e cordial há futuro para a magnífica humanidade.
Assim, Leão XIV traça os contornos de um papado como coração de um mundo sem coração. Nesse sentido, vale a pena ler com atenção as seguintes palavras dele: Onde a humanidade corre o perigo de perder a sua identidade, nós, cristãos, erguemos os olhos para o Deus feito carne, sabendo que ‘o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente’. Em Jesus Cristo, esta magnífica humanidade torna-se o Caminho, a Verdade e a Vida, abrindo a cada um de nós a via para crescermos até à plenitude.
&&&&
Para terminar, comento brevemente o que penso ser a postura de Leão XIV a respeito da tão falada Inteligência Artificial. Ela é magnífica, produto avançado da inteligência cerebral e, por conseguinte, pode ser útil quando instrumentalizada pelo ser humano. Mas se o homem lhe entregar as rédeas, será um desastre. Pois a IA não tem coração.
El 9 de agosto se celebró el Día del Padre. Constatamos, sin embargo, que una ola de crisis que azotan a la sociedad, al menos a la occidental, no ha dejado indemne la figura del padre. La justa crítica de las feministas al patriarcado y al machismo, y el establecimiento científico de la existencia de una era matriarcal, hace 20 mil años, caracterizada por una profunda integración con la naturaleza y por una intensa espiritualidad, ayudaron a poner en tela de juicio la pretendida primacía del hombre y del padre. Las reflexiones de las mujeres sobre su propia identidad y su significativa presencia en todos los ámbitos de la sociedad, junto con la crítica al poder patriarcal, profundizaron la crisis de la figura del padre.
La compleja división del trabajo en las sociedades modernas ha debilitado, en parte, los lazos familiares, afectando especialmente a la figura del padre. Este se va a trabajar y, no pocas veces, ni siquiera tiene tiempo para hacerse presente junto a su esposa, sus hijos y sus hijas. Por estas razones, algunos estudiosos hablan del eclipse de la figura del padre. Un autor alemán, A. Mitscherlich, escribió un discutido libro: Hacia una sociedad sin padre (1963). Se pasa del padre al grupo de amigos. La tradición psicoanalítica de S. Freud, C. G. Jung y otros otorgó un lugar central a la función de la figura paterna en el desarrollo psicológico de los hijos y las hijas.
Diría que las mujeres, después de tantos enfrentamientos, han definido más adecuadamente su identidad. Mientras tanto, los hombres están en busca de su identidad en un mundo tremendamente modificado y acelerado. Existe una añoranza por el regreso del padre amoroso y por su función. Esto fue expresado hace siglos en la Odisea de Homero, cuando Telémaco, hijo de Ulises, dice: «Si aquello que los mortales más desean pudiera conseguirse en un abrir y cerrar de ojos, lo primero que yo querría sería el regreso de mi padre». Estimo que existe una añoranza de la figura del padre, no patriarcal sino amoroso, y de lo que él representa en el desarrollo de los hijos.
Por eso, aun con los cambios ocurridos, es decisivo rescatar la figura del padre. Es imprescindible para que el proceso de individuación de los hijos y las hijas se realice adecuadamente. La ausencia del padre puede producir graves consecuencias.
No sé cuál es la situación en términos numéricos en nuestro país. Tuve acceso a estadísticas oficiales recientes de Estados Unidos que presentan los siguientes datos: el 90 % de los hijos que habían huido de sus hogares o no tenían vivienda fija provenían de familias sin padre. El 70 % de la criminalidad juvenil provenía de familias en las que el padre estaba ausente. El 85 % de los jóvenes en prisión había crecido en familias sin padre. El 63 % de los jóvenes que se suicidaron tenían padres ausentes. Estos datos me remiten a un inspirador estudio de C. G. Jung de 1949, La importancia del padre en el destino del individuo, y también al de S. Freud de 1924, La disolución del complejo de Edipo.
Curiosamente, el cristianismo muestra un conmovedor regreso del padre en la parábola del hijo pródigo. Aquí se invierten los papeles. El hijo que salió de casa y llevó una vida desordenada siente nostalgia de la casa paterna. Entonces, es el padre quien vuelve hacia el hijo que lo añora, corre a su encuentro, lo colma de abrazos y besos y le prepara un gran banquete porque «este hijo estaba muerto y ha vuelto a la vida; estaba perdido y ha sido encontrado» (Lucas 15,24). Es la figura del padre amoroso y no autoritario.
Para rescatar la figura del padre, es importante distinguir entre los modelos culturales de padre y la función permanente de la figura paterna. Los modelos varían según las épocas y las culturas: el padre patriarcal, autoritario, amoroso, participativo, compañero y amigo. Una cosa es la figura del padre centralizador en la cultura musulmana, rodeado de mujeres (poligamia), y otra la del padre en la cultura occidental monogámica, y así sucede en los diferentes espacios culturales.
La función del padre constituye una estructura permanente, imprescindible para el complejo proceso de individuación de la persona. En todos los modelos actúa esta estructura permanente del padre, pero sin agotarse en ninguno de ellos. La crisis de los modelos libera esta estructura siempre presente, llamada también principio paterno, permitiendo nuevos modelos adecuados a nuestro tiempo.
Concentrémonos en esta estructura permanente del padre. La figura paterna es responsable de la primera y necesaria ruptura de la intimidad madre-hijo/a y de la introducción del hijo/a en el mundo transpersonal: el de los hermanos y hermanas, los abuelos, los parientes, los amigos de la familia; en una palabra, en el mundo de los muchos, en la sociedad.
En ese mundo de los muchos rigen el orden, la disciplina, la autoridad y los límites. Los padres tienen que trabajar, realizar proyectos, proveer a la familia y ejercer su profesión. Todo ello exige coraje, mostrar seguridad y disposición para realizar los sacrificios necesarios.
Ahora bien, el padre es la concreción de estas actitudes. Es el puente hacia el mundo transpersonal y social. En esta travesía, el niño se orienta por el padre-héroe arquetípico que todo lo sabe, todo lo puede y todo lo hace. Si falta esta referencia, el niño puede sentirse inseguro, perdido y sin iniciativa.
Corresponde a la figura del padre hacer comprender la diferencia entre el mundo de los pocos, el de la familia, y el mundo de los muchos, el de la sociedad. No existe solamente el cobijo, especialmente junto a la madre, sino también el trabajo del padre. No hay solamente ternura, sino también conflictos sociales. No hay únicamente ganancias, sino también pérdidas.
Hay programas de entretenimiento televisivo que exacerban el deseo, haciendo creer que solo el cielo es el límite. Es la ilusión del deseo. Corresponde al padre mostrar que las cosas no son exactamente así y que en todo existen límites. Todos somos incompletos y podemos frustrarnos. Incluso debemos tomar conciencia de que existe la muerte de familiares o de amigos queridos.
Llevar adelante esta verdadera pedagogía, incómoda pero vital, es responder al llamado de la función permanente del padre. Sin ella, el padre está perjudicando a su hijo o hija, tal vez de forma duradera. Una figura paterna bien realizada constituye la base para que el niño pueda tener una buena imagen de Dios-Padre de bondad.
La sociedad moderna, con los televisores, los teléfonos celulares, las tablets y todo tipo de programas virtuales, compite con el padre y le dificulta cumplir su función permanente.
Pero nunca faltan figuras concretas de padres que conocemos, que se han inmunizado frente a la impregnación patriarcal, enfrentan obstáculos y viven dignamente, trabajan duro, cumplen sus deberes de padres, muestran responsabilidad y determinación. Participan de las tareas domésticas.
De esta manera cumplen la función permanente de la figura paterna, función indispensable para que sus hijos e hijas maduren su yo y, sin perplejidades ni traumas, lleguen a ser autónomos y libres. Hasta llegar a ser padres y madres de sí mismos. Es esto lo que este Día del Padre nos invita a reflexionar.
Leonardo Boff escribe para la revista del ICL LIBERTA (https://www.revistaliberta.com.br) Escribió también San José: la personificación del Padre (Vozes, 2005), «La figura del padre a la luz de San José», pp. 189-200; y, junto con Rose Marie Muraro, Femenino/Masculino: una nueva conciencia para el encuentro de las diferencias (Record, 2010). https://www.leonardoboff.org)
[Por: Leandro Sequeiros]
Al atardecer del miércoles 12 de agosto de 2026, millones de habitantes humanos del planeta Tierra, se han lanzado compulsivamente (a veces recorriendo miles de kilómetros) hacia los escasos puntos de observación mundial desde los que (con la protección de gafas homologadas) se podía contemplar un fenómeno astronómico que no suele ser frecuente: un eclipse total del astro rey, el Sol. Durante unos minutos, nuestro satélite, la Luna, se interpuso delante del Sol para proyectar un cono de sombra que recorrió parte de la superficie de la Tierra. Y a España le ha tocado una banda privilegiada…
Descargue el artículo.
[Por: Santiago Villamayor]
Análisis y elogio de la “Magnífica humanidad“ de León XIV. Valoración de su valentía y de la necesidad del documento. Para el papa el transhumanismo y la creación de una nueva especie son una amenaza que puede resolverse mediante la permanencia en la fe y el control democrático.
La dignidad humana es el valor absoluto fundado en nuestra semejanza con Dios. Estas propuestas sin embargo quedan limitadas para los no creyentes por quedar ligadas a un esquema clásico, teísta y creacionista. Se propone por tanto otra comprensión simbólica de lo divino frente al particularismo y el literalismo, a la vez que se funda la dignidad en la misma realdad…
Descargue el artículo.
[Por: AICA – Religión Digital]
El arzobispo de Buenos Aires invita a preparar espiritualmente la llegada de León XIV y destaca que su misión será confirmar la fe, fortalecer la esperanza e impulsar la paz…
Descargue el artíulo.
[Por: Joseph E. Stiglitz | Domani – IHU]
Los déficits comerciales multilaterales dependen menos de los aranceles que de importantes variables macroeconómicas, como el ahorro nacional interno, un indicador que los récords de déficit fiscal de Trump han debilitado. Trump se sale con la suya con sus tácticas de intimidación porque mucha gente, tanto en su país como en el extranjero, se ha rendido ante él.
El artículo es de Joseph E. Stiglitz y fue publicado por Domani el 6 de agosto de 2026…
Descargue el artículo.
[Por: Júlio Lázaro Torma]
Quinta feira, tinha duas atividades no centro de Pelotas (RS). Uma da Comissão de Trabalhos da CF 2026 / Fraternidade e Moradia e uma audiência Pública da comissão de turismo da Câmara de vereadores, para tratar a questão, ” Pelotas, Fora do Mapa do Turismo”…
Confira o artigo.