05 de Julio de 2026
[Por: Leonardo Boff]
Vivemos tempos distópicos. O horizonte parece ter desaparecido. Na verdade, estamos no coração de uma crise planetária com tal gravidade que poderá significar o fim da espécie humana. No entanto, a Terra passou por 15 grandes dizimações. Mas a vida sempre sobreviveu. Alimento a esperança de que também desta vez sobreviverá mas não sem penosos sacrifícios a serem pagos em vidas humanas e da natureza.
Estimo que vamos inaugurar outra era geológica, aquela que o grande cosmólogo Brian Swimme, chama de a era ecozóica (cf. The hidden Heart of the Cosmos: Humanity and the New Story,1996). Ele coordena cerca de 100 cientistas na Californica que estudam a história do universo. Segundo ele, o ecológico, aquilo que está ligado à Casa Comum (oikos=casa) ganharia centralidade. A tecnociência, a própria IA e todos os demais saberes estariam a serviço do cuidado desse dom sagrado que o universo ou Deus nos têm galardoado: o planeta vivo, a Terra, Grande Mãe, Pachamama e Gaia com todos os seres que ela gerou e nela vivem e convivem.
Todos os humanos, nos sentiríamos partes da natureza e seus guardiães, irmãos e irmãs uns dos outros e dos demais seres porque todos somos parentes, por possuiirmos o mesmo código genético de base. Conviveríamos em sinergia com o Todo.
O reino das necessidades teria ficado para traz e todos gozariamos dos beneficios do reino da liberdade. Agradecidos ao Criador, vivendo felizes e em paz perene, sob a luz e o calor benfazejo do sol.
Essa utopia está nos arquétipos mais ancestrais de todos os povos, desde a “Terra sem Males” dos povos originários até o novo céu e a nova Terra das Escrituras judaico-cristãs.
A história não é linear. Conhece o inesperaado e até o improvável, coisa que o recém falecido Edgar Morin não deixava de sempre nos recordar. Ela dá saltos quânticos, como quando de um oceano primitivo surgiu há 3,4 bilhões de anos a primeira célula viva. É a mãe de todos os viventes. Esse arqui-arquétipo poderá irromper para fazer a sua história junto com a natureza e a espécie humana.
Seria a esfera da paz sempre sonhada e ansiada desde o irromper da consciência e da estrutura de nosso insaciável desejo, há alguns milhões de anos.
Então não se falará mais de paz, pois ela se transformou no ar que respiramos, no alimento que nos sustenta e na realização do sonho em fim realizado.
Enquanto a flora e fauna crescerem e se multiplicarem, enquando a florzinha amarela cresce no meio de pedras áridas, enquanto nascerem crianças é um sinal de que Deus ainda acredita em sua criação e não deixa de amar a humanidade.
Uma utopia? Sim, mas necessária para não desesperarmos e darmos lugar à esperança que fine finaliter sóe não defraudar.
Leonardo Boff escreve para a revista LIBERTA do ICL (https://www.revistaliberta.com.br); escreveu também O doloroso parto da Mãe Terra: uma sociedade de fraternidade sem fronteiras e de amizade social, Vozes 2021 (https://www.leonardoboff.org).
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